Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Ilha só

Minha ilha só,

Enjeitada desde criança,

Nenhum lugar para a esperança.

Povo que não crê

Abala.

Muda de Terra

E fala.

Dá o seu generoso sangue

E a pátria fica enxangue.

Minha ilha só,

Enjeitada desde criança,

Nenhum lugar para a esperança.

Partem os novos,

Faltam raízes e braços,

Confiantes vão.

Deixam os filhos

Sem terem a quem pedir

Uma côdea de pão.

Minha ilha só,

Enjeitada desde criança,

Nenhum lugar para a esperança.

Almeida Firmino, in "Não queremos bombas na cidade"

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publicado por picarota310172 às 10:29
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Tempestade

Lá ao fundo, pode ver-se a zona balnear, o museu da indústria baleeira, a rádio local e o clube naval, que a esta altura já tinha sido visitado pelas ondas...

As pedras arrancadas do fundo do mar chegam a pesar mais de 500kgs!!! Olhando atentamente podem ver-se já algumas ali mesmo onde rebenta a onda...

Imagens como esta são bem comuns por aqui...desde ontem que o vento sopra ferozmente e a chuva é quase torrencial; em alguns pontos do arquipélago, as ondas já atingiram os 14 metros!! é um espectáculo deveras impressionante.

Estas são apenas algumas situações, em que o mar galga o porto marítimo cá da zona.

É lindo, mas não deixa de impôr um certo respeito...

Assim é, na ilha dos meus amores!

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publicado por picarota310172 às 16:58
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Mais um poema

Para além do Universo luminoso,

Cheio de formas, de rumor, de lida,

De forças, de desejos e de vida,

Abre-se como um vácuo tenebroso.

A onda desse mar tumultuoso

Vem ali expirar, esmaecida...

Numa imobilidade indefinida

Termina ali o ser, inerte, ocioso...

E quando o pensamento assim, absorto,

Emerge a custo desse mundo morto

E torna a olhar as cousas naturais,

À bela luz da vida, ampla, infinita,

Só vê com tédio, em tudo quanto fita,

A ilusão e o vazio universais.

 

Antero de Quental

Hoje estou:: feliz por estar aqui
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publicado por picarota310172 às 17:03
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Anoitece

Anoitece.
A lua aparece
A iluminar os ares.
Quem me dera que fosse noite escura
Como a minha alma.
A Neblina desce
Serena e, os cantares
Das garças quebram, com a candura,
Do silêncio a calma.
O mar matizado
De branco e azul
Um pouco encrespado,
Beija o barco rumo ao sul.
Noite da vida
Sem norte
Imagem nitida
Da morte.
Hoje estou:: melancólica
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publicado por picarota310172 às 16:42
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A outra ilha

Eu sou a outra Ilha,
A décima como me chamam,
A imigrada,
Afastada das nove
Pelas intempéries do destino
Em busca de melhor sorte
Por mares e terras doutras gentes;
Olhos postos no horizonte da vida,
Empurrados por uma mãe Pátria
Que não soube exprimir o seu remorso.
Exploração humana.
Trouxe comigo
Penedos de saudade,
Aldeias de dor,
Badaladas da mente,
Gemidos da alma,
Sonhos espesinhados,
Praias despidas,
Pedaços de luar,
Aspirações destruidas,
Trindades amargas,
Ausência dolorosa,
O marulhar das ondas do abandono,
O tormento de partir sem lar,
Sem sono,
Só saudade...
Ilha esquecida.
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publicado por picarota310172 às 16:29
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Onde não se fala do silêncio

não amealhem versos como se fossem dólares

comprem amarelos pintem-se

de pinheiro -

são fortes dão farelo como as mulheres na cama

em dia de beber

a dança

o ventre

a espiral

do medo onde descansa a ilha. cada vez

há mais poemas na barrela: coram ao sol e

aguardente.

(a vida está tão pesada ao ar livre!)

 

Fechem a janela!


a cabeça tem um dente cariado e ri dos outros.

não há guerra dentro da chuva...

as nuvens são pátrias em sossego.



Álamo Oliveira

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publicado por picarota310172 às 16:42
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A Concha

 

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

                   Vitorino Nemésio

 

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publicado por picarota310172 às 16:25
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Nós, na ilha

Falta-nos a terra

Falta-nos o mar.

Falta-nos a voz

Com que protestar.

Sequestrados vamos

Adiando a viagem.

Nós, na ilha, ficamos

A ceifar coragem.

Almeida Firmino

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publicado por picarota310172 às 00:27
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

A saber...

A Ilha do Pico é a segunda maior ilha do Arquipélago com uma área de 447 km quadrados (42 Km de comprimento e 15,2 Km de largura). Dista cerca de 15 Km da ilha de S. Jorge e 8 Km da Ilha do Faial.

Está situada a 28º 20’ de longitude oeste e a 38º 30’ de latitude norte.

O seu povoamento teve início por volta de 1460, com naturais oriundos do norte de
Portugal.

Tem uma população de cerca de 15 500 habitantes e está dividida em três concelhos: Lajes, Madalena e São Roque.

O cone vulcânico da ilha (O pico do Pico), que atinge os 2351 m, é a maior altitude dos Açores e de Portugal.

Na gastronomia desta ilha encontramos os seguintes pratos: Sopas do Espírito Santo, Linguiça com Inhames, Molha de Carne, Caldo de Peixe, Queijo, Vinhos, Bolo de Vésperas, Rosquilhas.

Locais que não deve deixar de visitar no Pico: O  museu do Baleeiro (único do género em Portugal) na Vila das Lages, a própia Vila e naturalmente a montanha do Pico.
Merecem também ser visitadas a lagoa do Capitão, a lagoa do Caiado e a lagoa do Paúl, não esquecendo os Arcos do Cachorro (túneis e grutas perfurados na lava, por onde passa o mar, oferecendo um deslumbrante espectáculo.)

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publicado por picarota310172 às 17:16
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Este Povo da Ilha

Este o povo que nasceu no mar. Veio-lhe o sangue
do sal. Suas veias boiaram outrora 
entre cabeleiras de algas e fungos de basalto.
Abriu-se-lhe a boca no remoto esquecimento 
dos búzios. Memória são as conchas desertas 
o calhau rolado arenoso silêncio sobre rocha.

Gerado talvez entre o grito enfermo das baleias
e o rasto dos navios. Pois este o povo
se (re)conhece entre areia e mar 
no preciso instante em que a pedra 
e o corpo se tocam e amam
a água

E por isso os peixes 
nos atravessam os olhos 
a nado 

Viajam entre nós e a certeza 
do corpo.

 

João de Melo

(in Navegação da Terra)

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publicado por picarota310172 às 15:56
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